Há um rio cujas águas não são calmas e cujos navegantes não são muitos
que desagua sem parar, abundante de força e obstáculos.
Entre o rio há duas margens uma de lá outra de cá
não há pontes entre o rio
nem barcos ou caravelas,
não há preço que se pague pra chegar a margem oposta
e nem maluco pra fazer tal oferta de conseguir tal proeza
pois o mesmo ostenta a travessia
porém dentro de si oculta-se a covardia.
Tamanha é a oposição entre ambas as margens
quem tá cá quer ir pra lá, quem tá lá não quer voltar
óh rio valente diga quando irás te acalmar ?
Diz a multidão do lado de cá.
O rio não responde
afinal, quem iria ouvir um rio?
Na hora do sufoco tudo é válido e em tudo se crê
que indivíduo decifraria o significado do som que faz a aguá quando encontra a pedra no seu caminho?
Pedra no caminho do rio, obstáculo que não interfere no seu destino,
que diria da pedra no sapato que tão pequenina se faz grande tormenta.
Quem vai atravessar o rio valente
não leve bóias ou coletes salva-vidas
nem tente construir embarcações,
a segurança que o rio impõe
está na mente de quem deseja atravessá-lo
este sim o rio valente aceita.
No entanto, o rio despreza acompanhantes,
obriga a independência.
Quem quer atravessar aproveite a calmaria
pois quando vier a tempestade,
os riachos e nascentes desaguarão no rio valente,
as margens sumirão e consigo indivíduos
que se acovardaram diante da grandeza deste rio
aí sim os tripulantes da banda de lá
poderão se alegrar.
A mesma chuva que correu o rio valente
regou os frutos da terra da coragem
e fez-se a hora da colheita
e de se deleitar dos doces frutos.
Sirvam-se a vontade os vencedores!
domingo, 7 de novembro de 2010
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